Brasil Foods: a graça do negócio

Brasil Foods: a graça do negócio

Tutty Vasques

24 de maio de 2009 | 06h27

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Pão-duro como ele só, o técnico Felipão vive dias de preocupação no exílio voluntário em que se encontra no Reino Unido. Soube em Londres que ‘amarrar cachorro com linguiça’ – uma de suas expressões preferidas – pode ficar mais caro no Brasil após a fusão da Sadia com a Perdigão. “Agora mesmo que ele não volta!” – comemoram seus vizinhos de Porto Alegre.

Um sem número de gracinhas do gênero foram inventadas às pressas no rastro da criação da Brasil Foods. Associado ao mega negócio, o humor fez um punhado vítimas no mundo do futebol. O goleiro Felipe, do Corinthians, não aguenta mais piadas prontas sobre como será vestir uma camisa patrocinada pela maior processadora de frangos do mundo. No primeiro que ele engolir, já viu, né? A gozação não tem data para acabar.

Perdigão, o volante cabeludo do São Caetano, é outro que também não suporta mais gracejos sobre a fusão de seu apelido em notícia que não sai das manchetes há uma semana. “E aí, tá pegando a Sadia, né malandro?” – cansou de ouvir troças de gosto duvidoso nos treinos do Azulão.

Fora de campo, a Fiel torcida do Corinthians não escapou de especulações absurdas sobre a possibilidade da Brasil Foods incluir gaviões entre as aves que processa em suas fábricas de coxinhas. Pode?

Boa parte das anedotas produzidas em série nos últimos dias não pode ser publicada nem aqui nem em livros adotados pelas escolas públicas de ensino fundamental do Estado de São Paulo. Isso que a Secretaria de Educação andou recomendando aos meninos é pinto perto das piadas cabeludas misturando linguiça com peru, lombo, pernil, peito, coxas…

A Brasil Foods, cá pra nós, é praticamente uma fábrica de duplos sentidos. Tem aquela da fuga das galinhas, conhece?

Texto publicado no caderno Aliás deste domingo no ‘Estadão’.