Cabeça de policial

Cabeça de policial

Tutty Vasques

14 de dezembro de 2008 | 10h58

ILUSTRAÇÃO POJUCAN/ALIÁS

O valor total da compra – R$ 2.023,00 – é irrisório em matéria de dinheiro público e, cá pra nós, pode ser até bom que o secretário de Segurança Pública de São Paulo tenha um saco de pancada de couro em seu gabinete. Alivia, vai! Tudo bem, também, em relação às bolas terapêuticas, às anilhas de ferro e às barras de aço cromadas. O que fica difícil para o secretário Ronaldo Augusto Bretas Marzagão explicar, especialmente às tropas sob seu comando, é o que fazia entre os itens de ginástica adquiridos por seu staff um “adipômetro para medir pregas cutâneas”. Que PM vai intuir que o troço serve para calcular gordura no corpo, sem antes pensar bobagens sobre as tais “pregas cutâneas” no gabinete do chefe? Fala sério!

Outra coisa do noticiário da semana que não entra na cabeça de batalhão nenhum no Brasil: que diabos está acontecendo na Grécia? Lá, como se sabe, uma revolta popular incendeia o país há vários dias em resposta ao PM de Atenas que matou com um tiro na cabeça o jovem que lhe atirava pedras em praça pública. Contada assim para nossos homens de farda, a notícia não tem o menor cabimento, ainda mais nessa época em que, por aqui, algo muito parecido aconteceu com um torcedor do São Paulo no estádio do Gama, em Brasília, às vésperas da absolvição do soldado que “cumpriu seu dever” matando a tiros de advertência um garoto de 3 anos, no Rio.

Os pais de um e de outro ainda protestaram, mas apelar por justiça no Brasil é o mesmo que estar falando grego. Ninguém entende!

Texto publicado na coluna Anbulatório da Notícia do caderdo Aliás deste domingo no ‘Estadão’

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