Camareira expiatória

Tutty Vasques

17 de maio de 2011 | 02h12

“Já vi coisas piores!” – teria dito Benjamin Brafman, advogado de toda grande celebridade em apuros nos EUA, ao aceitar a defesa do tarado do FMI detido desde o último sábado em Nova York. Fala sério! Para alguém que já sustentou no tribunal a inocência de Michael Jackson em acusação de pedofilia, o escândalo sexual de Dominique Strauss-Kahn é pinto!

Pobre camareira! Como se não bastassem as piadinhas que andam fazendo mundo afora com a atitude bizarra do todo-poderoso que a atacou peladão num 5 estrelas de Manhattan, o drama da vítima sucumbiu nos jornais aos desdobramentos econômicos e políticos da tentativa de estupro.

Em consequência da brutalidade física denunciada, a imprensa fala em colapso do euro, caos econômico na Grécia, terremoto político na França… Virtual candidato socialista na corrida presidencial de 2012 em seu país, o diretor executivo do Fundo Monetário Internacional teria jogado pela janela daquela suíte de hotel na Times Square suas pretensões de chegar ao Palácio do Eliseu.

A tese de um complô ganha força em Paris. Isso quer dizer o seguinte: vão acabar culpando a moça pela reeleição de Sarkozy. Coitadinha, né?!

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: