Campo minado

Tutty Vasques

05 Abril 2011 | 06h01

dsaggaA mania não nasceu em Copacabana, mas poucas calçadas do mundo se prestam tanto à brincadeira de pisar só nos espaços claros ou escuros do chão de rua. O desenho de ondas do mar no preto e branco das pedras portuguesas da Avenida Atlântica é um convite para a garotada caminhar em ziguezague.

O perigo disso se transformar em Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) no vaivém dos adultos criados no bairro não é grave numa escala de preocupações na vida de quem circula por Copacabana. Depois que a explosão de bueiros virou rotina por lá, os cuidados para não pisar nas tampas de metal pelo caminho passou a liderar a lista de recomendações maternas no ritual diário de saída dos filhos de casa.

“Vê se olha por onde anda, menino!” Não é fácil! Driblar todos os acessos ao subterrâneo de uma metrópole é, por vezes, mais complexo que pisar só no preto ou no branco. Quando o passo em falso num bueiro for inevitável, melhor optar pelas tampas de metal com a marca de concessionárias de TV a cabo, telefone, água e esgoto. O risco de explosão é sempre maior onde passam linhas de gás e de luz.

Tem ainda muito cocô de cachorro pelo caminho, mas ninguém em Copacabana liga mais pra isso.