Cheirinho de greve no ar

Tutty Vasques

17 Abril 2011 | 06h16

gggggggg365O conceito de ‘notícia enguiçada’, como ensinam as escolas de Jornalismo, tem nas greves da Usp um exemplo pedagógico: o movimento é sazonal, sua motivação é variada – e nem sempre bem explicada -, ninguém se entende nas negociações e, de um ano para outro, os erros se repetem sem tirar nem por. A falta de higiene e de zelo pelo bem público imperam, nenhuma das partes sai bem do impasse e, quando menos se espera, a crise na Universidade volta ao mesmo ponto de partida no noticiário.

A Educação quase nunca é tema de debate! Esta semana, por exemplo, os alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas resolveram apoiar a greve do pessoal terceirizado da limpeza chutando latas de lixo e espalhando papel higiênico usado pelos corredores do campus. O fedor suspendeu as aulas e invadiu a reitoria, que seria de qualquer forma desativada no dia seguinte, depois que 40 de seus funcionários decidiram em assembleia bloquear os acessos ao ambiente mal cheiroso para abrir nova frente de protesto, contra a transferência temporária de servidores por causa da reforma da Cidade Universitária.

Seguindo o script de anos anteriores, nas próximas semanas a imundice e a truculência recíproca devem ser a tônica da falta de diálogo entre a administração pública incapaz e a desorganização coletiva de alunos e funcionários. Não me perguntem por que, mas quanto mais sujo e revirado tudo estiver quando a polícia chegar, melhor! Depois tem a gritaria de praxe, a “greve da greve” e, enfim, as férias de julho devem nos poupar por um tempo do esforço de tentar entender pela leitura dos jornais que diabos está acontecendo na maior universidade pública do País.

Um dia, espera-se, a civilidade do chão de fábrica chegará à mesa de negociações do mundo acadêmico. Até lá, a galera podia ao menos tentar fazer um movimento mais limpinho, né não?