Complexo do Alemão World

Tutty Vasques

05 de dezembro de 2010 | 06h50

rgwgCom o prestígio que anda desfrutando ultimamente nas mais altas esferas do poder palaciano federal, o governador Sérgio Cabral pode bem tentar convencer a Marinha do Brasil a ceder alguns de seus blindados de esteira para o posto avançado de carro-chefe de um mega projeto turístico no Complexo do Alemão. Pela descrição dos jornalistas que esta semana passaram pela experiência bélico-recreativa, o passeio de “lagarta anfíbia” morro acima tem tudo para, em curto espaço de tempo, se tornar tão conhecido no hemisfério Norte quanto a viagem de bondinho ao Pão-de-Açúcar ou ao Cristo Redentor.

A ideia de um parque temático da violência em comunidades carentes brasileiras é uma mina de ouro que a indústria do entretenimento, cheia de pudores com a tragédia humana, não sabe como explorar fora dos telejornais. Mas calcule você o sucesso do empreendimento quando, em vez de presa fácil, o turista que visitar o Rio virar espectador privilegiado de uma guerra encenada em locações quase reais, divididas em atrações à parte, como manda o figurino da Disney’s Hollywood Studios, em Orlando.

Quem já foi ao parque americano da Flórida pode bem imaginar o fabuloso teatro de bonecos que deu origem ao filme ‘Piratas do Caribe’ adaptado à ação de traficantes na favela. A mecânica do terror de ocupação de comunidades é, rigorosamente, a mesma! Num estande à parte, ‘Tropa de Elite’ teria sessões regulares de cenas do filme interpretadas ao vivo, como fazem lá fora com Indiana Jones, por exemplo.

O Complexo do Alemão World pode ter trem fantasma pelas galerias subterrâneas utilizadas como rota de fuga; simuladores de motos em zigue-zague no labirinto de vielas; baile funk virtual, tiro ao alvo, vista aérea de teleférico, MacDonald’s com design de mega birosca, além, é claro, do disputadíssimo passeio de “lagarta anfíbia” que inspirou tamanha ideia de jerico.

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