Cronistas são os outros!

Tutty Vasques

23 Novembro 2011 | 06h01

ilustração pojucanChamado a palpitar como “cronista” em três debates nos últimos 20 dias, tenho exposto nessas ocasiões o mais profundo constrangimento por me incluir numa categoria que, quando comecei a escrever, reunia gênios como Rubem Braga, Otto Lata Resende, Antônio Maria, Sérgio Porto, Nelson Rodrigues, Paulo Mendes Campos e, para não ficar só nos mortos, Ivan Lessa, Verissimo e Millôr.

Caras iluminados, cujo talento incomum conquistou o direito de ser o que Drummond definia como “o mais livre dos redatores de um jornal”. Só o cronista podia escrever com humor, espírito crítico ou pura poesia o que lhe desse na telha e coubesse em seu espaço de alto de página. A arte de olhar o mundo pelo próprio umbigo não era pra qualquer um no tempo em que não havia internet.

Hoje em dia, como se sabe, somos milhares escrevendo pelos cotovelos sem nenhuma cerimônia com o leitor – ô, raça! –, sempre disposto a interagir com o autor que dê voz à sua indignação crônica contra tudo-isso-que-aí-está.

Sou, nesse espectro da conversa fiada, apenas um gaiato desenturmado em qualquer debate que se proponha. Mil desculpas a quem foi me ver ontem no CCBB de São Paulo esperando coisa melhor.