De perto ninguém é comum!

De perto ninguém é comum!

Tutty Vasques

28 de junho de 2009 | 09h28

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Uma dúvida cruel tem tirado o sono de Lula: Joel Santana é uma pessoa comum? Desde que criou o conceito de improviso para incluir José Sarney fora dessa, o presidente anda bastante confuso a respeito. Que diabos, afinal, é uma pessoa comum? – tem se perguntado com frequência. Nelson Mandela comentou qualquer coisa na terça-feira sobre o “rosto familiar” do Joel, mas não é o nariz batatudo, a bochecha caída ou a testa amarrotada o que faz do técnico carioca um sujeito mais ou menos igual a todo mundo nos dois lados do Atlântico abaixo da linha do Equador. Talvez o que faça de Joel um cara incomum seja justamente esta sua incrível capacidade de parecer comum em qualquer lugar do planeta.

O atual treinador da Seleção da África do Sul está virando uma espécie de Lula do futebol: diz as maiores maluquices, agora em dois idiomas, e todo mundo acha o maior barato. Joel Natalino Santana, assim como o presidente da República, tem esse poder de fazer soar genial o que dito pelo Dunga ou pelo Hugo Chávez pareceria pura estupidez. “Eu não tenho currículo, tenho testamento” – ooooohhhh! “Meu time não olha para trás, só olha para frente” – uau! “Decidi privatizar a disciplina” – cacilda! “Bufana Bufana play match very good!” – é mole?!

Trata-se de um raro espécime de brasileiro básico bem sucedido, claro que nem tanto quanto o presidente Lula – taí o Barack Obama que não me deixa mentir quando se desmancha em elogios ao “cara”. Se bem que, até a semana passada, quando os EUA ainda não eram o país do futebol, seu presidente nunca tinha ouvido falar em Joel Santana. E já deve estar se perguntando se é comum esse tipo de cara no Brasil. Difícil explicar, né?!

Texto publicado na coluna Ambulatório da Notícia deste domingo no caderno Aliás do ‘Estadão’.

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