De que lado não estamos?

De que lado não estamos?

Tutty Vasques

25 de abril de 2010 | 09h28

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Não vale pedir ajuda aos universitários, consultar as cartas ou pular a questão, como faziam os sabatinados do Silvio no Show do Milhão. Sua opinião aqui não vale absolutamente nada!

Até porque – não sendo índio, ambientalista, cineasta canadense, governista ferrenho ou oposicionista empedernido – duvido muito que o caro leitor tenha formado alguma posição pessoal sobre a conveniência da construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Xingu. A pergunta, sem mais rodeios, é a seguinte: você é contra ou a favor da porcaria dessa obra?!

Desde aquela algazarra no debate sobre a transposição das águas do Rio São Francisco – lembra? -, o brasileiro não se sentia tão despreparado para definir de que lado está numa gritaria do noticiário nacional.

Desta vez com o agravante de não contar com a referência da opinião da Letícia Sabatella para balizar a vontade própria. Teve gente, eu me lembro muito bem, que na época da greve de fome do bispo de Cabrobó se decidiu a favor da transposição do São Francisco só porque a atriz era radicalmente contra a obra.   

Mas não dá para repetir o truque e agora defender a formação do lago da mega usina no Xingu por pura antipatia à militância mercadológica de James Cameron, o diretor de Avatar que abraçou a causa como se fosse um personagem do próprio filme perdido na Pandora brasileira. Sabatella, pelo menos, não ganhava nada com isso!

Na dúvida, recomenda-se, melhor admitir logo de uma vez: “Eu não sei o que pensar sobre a hidrelétrica de Monte Belo!”

Se isso te alivia, se você se sente em casa neste grupo que desistiu de vez de tomar partido nas grandes questões nacionais, fique esperto: estão querendo nos induzir a escolhas erradas.

Mantenha-se firme na ignorância até que os dois lados passem a discutir ideias que te sirvam de base de raciocínio. Não se deixe levar pela gritaria!