Diretas já para flanelinha!

Tutty Vasques

22 de julho de 2010 | 06h43

ilustração pojucan

ilustração pojucan

Com todo respeito ao Ministério Público de São Paulo, a obrigatoriedade de ficha limpa de antecedentes criminais para flanelinhas talvez seja exigência impraticável para boa parte da categoria pós-graduada na ilegalidade das ruas. Um pouco mais de educação, entretanto, até que não seria pedir muito aos caras. Não precisa nem ter crachá ou uniforme, como quer a Promotoria, um bom cursinho de boas maneiras já resolve.

“A senhora poderia ter a fineza de deixar seu veículo solto, por favor, madame!” É o mínimo que se pode esperar da regulamentação do achaque. Se o sujeito que vai te tomar uma grana preta num canto escuro e sem policiamento da cidade está cadastrado na Prefeitura, no sindicato ou no quartel, francamente, tanto faz. Mais importante, nessas horas, seria evitar o estresse provocado pela abordagem quase sempre grosseira do guardador de automóveis. “Deixa 10 real aí na minha mão, tia!”

Claro que há exceções. O leitor provavelmente conhece um flanelinha gente boa e, me ocorre agora, se todo motorista indicasse o guardador de sua confiança, os mais votados poderiam ser oficializados no exercício legal da profissão. Parece ideia de jerico, mas, cá pra nós, recadastrar a ilegalidade também é, né?

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