DNA de padrinho

DNA de padrinho

Tutty Vasques

08 Agosto 2009 | 09h19

ilustração pojucan

Por uma questão de Justiça, tomara que o nobre Agaciel Maia não tenha ficado chateado com Sarney, que dia desses não reconheceu como seu afilhado de casamento o genro do ex-diretor-geral do Senado. Acontece com frequência nas relações afetivas de celebridades da política, do futebol e do jogo do bicho, gente poderosa ou de grande prestígio muito requisitada para coadjuvar batizados, matrimônios e pedidos de emprego, cada coisa a seu tempo, claro. E nem precisa ser padrinho contumaz para ser traído pela memória. Quer ver só?

Há quanto tempo você não lembra do seu afilhado, hein? Não telefona, não manda um presentinho e, se cruzar com ele na rua, capaz de nem identificá-lo na multidão. Mais cedo ou mais tarde, por falta de tempo, dinheiro ou afinidade, todo padrinho acaba meio que deletando seu protegido. Quando há o agravante da quantidade, aí, então, é praticamente impossível recordar-se de todos. O Maluf, por exemplo, não liga o nome à pessoa da maioria das 1.389 crianças que, dizem, ele batizou na vida pública. O pior é que não existe teste de DNA para padrinho, né?

Texto publicado no caderno Cidades;Metrópole deste sábado no ‘Estadão’.