Dom de iludir

Tutty Vasques

07 de junho de 2011 | 06h38

Atire a primeira pedra quem já foi criança e nunca valorizou uma dor de barriga ou de ouvido para não ir à escola numa manhã fria como a de hoje! O fingimento não é, necessariamente, um desvio de caráter, mesmo quando já não é mais a mãe que se pretende iludir. Não chega a ser crime uma vez na vida beber todas no domingo e, na segunda, faltar ao trabalho, oficialmente para enterrar uma tia ou socorrer o pai na emergência. Qualquer dor-de-cabeça inventada nessas circunstâncias será sempre melhor aceita que a sincera justificativa de ressaca.

Enganar os outros só não tem desculpa quando a malandragem tenta fazer todo mundo de trouxa. O cara que vende gato por lebre, o falso médico, a empresa de fachada, tudo isso é golpe.

Tem o caso dos jogadores da seleção que a toda hora fingem levar pontapés dos adversários em campo, mas aí é pura burrice mesmo! Ainda que o juiz ponha fé no teatro do agredido, não há como Neymar, Lucas & Cia escaparem do protagonismo da farsa denunciada pelas câmeras de TV. No empate com a Holanda, o espetáculo foi ridículo, patético, irritante. Tomara que hoje, contra a Romênia, os caras parem com essa palhaçada. O Brasil está de olho em vocês!

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