Dona Dilma e o Sítio do Brasil Azulzinho

Dona Dilma e o Sítio do Brasil Azulzinho

Tutty Vasques

07 de setembro de 2008 | 11h15

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Vai ver todo sapo começa assim, mas não é pra qualquer um o conto de fadas que Dilma Roussef protagonizou esta semana longe das trevas de Brasília. “Me belisca, me belisca”, citava Dona Benta para não dar na pinta que estava se sentindo a própria Pocahontas com todos aqueles homens sujos de óleo no balanço da plataforma P-34, sob um céu azulzinho Djavan irretocável. “O Brasil é o Sítio do Pica-Pau Amarelo”, misturava histórias de Lula e Monteiro Lobato. Pareciam todos – inclusive o ministro Edson Lobão, irreconhecível num macacão laranja ‘cheguei’ de lascar – sob o efeito de algum pozinho de pirlimpimpim borrifado no Campo de Jubarte. “A Petrobrás encontrou petróleo no galinheiro.” Dilma era, de longe, a que mais ali conhecia os livros do autor de “Poço do Visconde”.

Lá em Brasília falavam até em impeachment quando Lula espalmou as mãos sujas de óleo nas costas, respectivamente, do Espírito Santo e da chefe da Casa Civil. Estava inaugurado oficialmente o mundo encantado da era pré-sal no País. É nele, pelo menos assim imagina o criador da personagem, que Dilma Roussef vai reinar a partir de 2011. À noite, em local não por acaso chamado Vitória, ela tocou reco-reco capixaba para sua corte de bajuladores, entre políticos, ex-guerrilheiros e socialites da região. “Me belisca, me belisca” – repetiu de novo baixinho quando o bolo de elogios que vinha recebendo ganhou a cereja da declaração de Ciro Gomes, humildemente se oferecendo para ser vice em sua chapa na sucessão presidencial.

Coisa de príncipe. Ou, para não fugir ao enredo da história oficial, digamos que Ciro lançou sua candidatura a Visconde de Sabugosa do Sítio do Brasil Azulzinho que Lula promete deixar para seus sucessores. Essas coisas a oposição não vê. Ô, raça!

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