Dor caricatural

Tutty Vasques

21 de dezembro de 2011 | 02h03

reproduçãoA julgar pela comoção descontrolada nas ruas de Pyongyang após a notícia da morte de Kim Jong-il, o ‘Querido Líder’ era uma espécie de Mamonas Assassinas da Coreia do Norte. Nem quando Tancredo Neves morreu se viu nada igual por aqui!

O Ocidente tem bons motivos para desconfiar da reação carpideira dos norte-coreanos, que até então só haviam se mostrados na TV oficial em duas situações: marchando ou acenando bandeirinhas em cerimônias militares.

Chorando aos baldes daquele jeito, francamente, o resto do mundo jamais tinha visto em lugar nenhum do planeta. Os americanos não chegaram a se jogar no chão em momentos de desespero quando assassinaram John Kennedy.

Aqui no Brasil, nem em velório de texto de Nelson Rodrigues a gente encontra viúvas inconsoláveis expondo de maneira tão visceral o que o autor chamava de “dor caricatural”.

Contra a tese de que tamanho drama seria encenação promovida pela propaganda comunista, deve-se dizer o seguinte: ninguém finge tão mal! Se pedir pro cigano Igor chorar por Kim Jong-il, ele seria mais convincente diante das câmeras.

Cá pra nós, tem alguma coisa terrivelmente verdadeira no sofrimento coletivo na Coreia do Norte. Ou não!

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.