Dosimetria relativa

Tutty Vasques

20 Novembro 2012 | 06h25

reproduçãoCom um “julgamento-mais-aguardado-dos-últimos-anos” atrás do outro no noticiário nacional, o brasileiro já se considera entendido no assunto para condenar sem demora um tipo de culpado genérico muito em voga nos tribunais do País.

Esta semana mesmo, antecipando-se ao veredicto do júri popular inaugurado ontem no Fórum de Contagem (MG), o povo começou de véspera a calcular nos pontos de ônibus de todo o Brasil a dosimetria do goleiro Bruno.

Desde a divulgação da sentença de José Dirceu – ou seja, há quase 10 dias –, não aparecia alguém tão sem defesa no banco dos réus da esquina.

A tese de que sem corpo não há crime é, mal comparando, tão convincente quanto a negação do mensalão por falta de impressões digitais.

Uma coisa não tem nada a ver diretamente com a outra, mas, depois que o ex-ministro pegou 10 anos e 10 meses de cadeia, que pena será mais justa para o goleiro?

Periga a situação dele se agravar agora que o Ministério Público Federal pediu 80 anos de prisão para outro célebre culpado da atualidade, o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Se bem que toda regra tem exceção, taí o Maluf rindo à toa que não me deixa mentir.