É muito tudo!

Tutty Vasques

10 de junho de 2011 | 06h25

ilustração pojucanGilberto Kassab ainda não se pronunciou sobre o fim do mundo de ontem em São Paulo, mas já tem uma explicação bem plausível para os transtornos de terça-feira provocados por um ciclone extratropical: “Ventou demais da conta, ué!” Pelos cálculos do prefeito, rajadas de até 128 km/h concentraram em um só dia o total de ventos previstos para todo mês de junho. Mal comparando, a cidade teve mais ruas bloqueadas por queda de árvores do que pontos de alagamento em dias de grandes enchentes.

Os números do vendaval são de dar inveja a temporal: 33 vias obstruídas, 47 sem luz,180 árvores tombadas sobre a fiação suspensa, 10 cidades da Grande SP sem água, 39 sinais de trânsito danificados, aeroportos fechados… “Ventou muito”, não há dúvidas a respeito.

A lógica do prefeito serve para quase tudo que atazana a vida do paulistano. “É muito carro”, pode-se dizer sobre os engarrafamentos. “É muita gente” no metrô, “muito menor abandonado” nos sinais de trânsito, “muito homofóbico” na região da Paulista, “muitos vôos” em Congonhas, “muito arrastão” nos Jardins, e por aí vai.

De vez em quando, como ontem, acontece um pouco de tudo e, aí, não tem explicação.

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