E não se fala mais nisso!

Tutty Vasques

04 de fevereiro de 2010 | 06h50

O que mais apavora na modalidade de fim do mundo que se avizinha de São Paulo é esse sotaque de motorista de táxi que aos poucos vai predominando no discurso da população, sem distinção de classe, grau de escolaridade ou tribo urbana afim. Do socialista que preside a Fiesp ao rapper que virou garoto-propaganda na Nike, não há conversa na cidade que não se inicie a propósito do calor, da chuva ou do engarrafamento.

Esteja você no ponto do ônibus ou na universidade, na 25 de Março ou na Daslu, no trabalho ou na balada, no Jardim Europa ou Romano, presta só atenção: tem sempre alguém ao lado puxando assunto como se você fosse passageiro – e esse alguém, motorista – do mesmo táxi. “Hoje tá demais, né?!” Todo mundo guarda uma desventura dos últimos 43 dias pra contar, e isso tem tomado metade do tempo do paulistano em reuniões de negócio e encontros sociais. Como se já não bastassem os motoristas de táxi pelo caminho.