…E nem lápis pode mais

Tutty Vasques

06 Novembro 2010 | 05h53

reproduçãoNessas horas, que não são poucas, eu penso sempre no Anísio Teixeira, o célebre educador que empresta seu santo nome ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pelo Enem. O que ele diria sobre a proibição do uso de lápis, borracha, apontador e relógio analógico em locais de prova? No tempo em que o professor brigava pelo raciocínio em detrimento da memorização, isso era tudo que um candidato precisava para ser examinado.

A justificativa do combate à prática da cola de informações, com o perdão do trocadilho, não cola! Afinal, que diabos cabe num apontador ou numa borrachinha que não entra na cueca ou no sutiã de um(a) adolescente em final do Ensino Médio? Ou será que, no futuro, todos farão vestibular nus? Talvez seja até mais seguro – e menos despudorado – vendar-lhes os olhos durante as provas.

Até o fechamento deste comentário, o Ministério Público do Espírito Santo – amém! – falava sozinho contra a desmedida paranoia do Inep. Ineptos, os 4,6 milhões de inscritos no Enem desperdiçaram uma ótima chance de mobilização: 1968, pelo visto, terminou! Vou já avisar o Zuenir.