E o Apichatpong Weerasethakul, hein?!

Tutty Vasques

26 de maio de 2010 | 09h22

ilustração pojucan

ilustração pojucan

Agora que, até quem tem língua presa, já sabe dizer direitinho Mahmoud Ahmadinejad, cuidado para não confundir Eyjafjallajoekull com Apichatpong Weerasethakul. O vulcão islandês passou a dividir esta semana espaço no noticiário com o cineasta tailandês vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes. O nome do filme do cara também não ajuda: ‘Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives’. Nem a livre tradução – “Tio Boonmee, Aquele que Se Lembra de Suas Vidas Passadas” – melhora muito a vida de quem quer mostrar-se bem informado e politicamente correto para não se referir à grande sensação do cinema mundial no momento como “o filme daquele tailandês com nome de vulcão”.

Se a pronúncia é difícil até para a Fátima Bernardes, imagina para a nova classe média brasileira, que começa a ter acesso à informação e à cultura. Como se já não bastasse o esforço imenso que os pobrezinhos têm feito para tentar entender o que diz o Tony Ramos no papel de italiano na nova novela das 9. Se bem que quem viu o ator interpretando um americano em ‘Mad Maria’, um grego em ‘Belíssima’ e um indiano em ‘Caminho das Índias’ já compreende perfeitamente aquela sua língua de estrangeiro. Periga, em breve, um bocado de gente desaprender a falar português, mas é melhor que andar por aí sem entender direito que diabos está acontecendo, né não? Hare baba!

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