Entre o vírus e o ilusionismo

Entre o vírus e o ilusionismo

Tutty Vasques

21 de março de 2010 | 09h14

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Não havia do “cara”, sinceramente, a pretensão de pacificar judeus e palestinos num passe de mágica. A etapa Oriente Médio da volta olímpica do governo Lula foi, na verdade, idealizada como parte de um projeto de despedida global do presidente. Uma simples entrega de faixas ao campeão mundial de popularidade no poder. O tal “vírus da paz” que nosso líder sacou da cartola ao desembarcar em Jerusalém não foi, portanto, um truque premeditado. Baixou mesmo uma espécie de Gandhi da Faixa de Gaza no homem bem na hora dele dizer a que veio na região: “Tenho comigo o vírus da paz desde o útero da minha mamãe!” Poderia ter dito “amiiigo, amiiigo”, mas, sabe-se lá atendendo a que desígnios, assumiu ali a missão de difundir a pandemia da boa índole brasileira.

Resultado: nunca antes na história das negociações de paz entre Israel e a Autoridade Palestina viu-se cego igual em tiroteio. George W. Bush teve lá sua época, mas chefe de estado algum jamais adquiriu a capacidade de Lula para dizer o que lhe vem à telha com tamanha naturalidade, ainda que sem nenhuma autoridade para tal. Só a oposição, mal-humorada como ela só, não consegue achar graça nenhuma nesta postura quase esotérica  de semear o bem. Lula plantou na Cisjordânia a esperança de que “uma coisa mágica” pode, de repente, acabar com o ódio na vizinhança. Não é, cá pra nós, nem mais nem menos eficaz que o método John Lennon de pedir “uma chance à paz”.

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