Escândalo no Brasil é coisa de família

Escândalo no Brasil é coisa de família

Tutty Vasques

26 Julho 2009 | 09h28

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Pelo menos numa coisa o presidente Lula tem razão: José Sarney podia estar roubando, podia estar matando, podia até andar por aí subindo em palanques para trocar afagos com Fernando Collor, mas o senador estava só pedindo emprego para o namoradinho de sua neta quando foi flagrado pela Polícia Federal. E o que ele dizia ao telefone? “Tá bom, eu vou falar com o Agaciel!”

Isso é grave? Gravíssimo, porém pouco ilustrativo da indecência que se espera de um político pego com as calças na mão. O mais frustrante nesse tipo escândalo no Brasil é justamente a quebra de expectativa na exposição do indecoroso. Na Itália, por exemplo, a pouca vergonha de Silvio Berlusconi pode até não ser tão grave quanto a falta de cerimônia da família Sarney com a coisa pública, mas é muito mais excitante em matéria de grampo do que todos os indícios gravados da ligação do presidente do Senado com os atos secretos do Congresso.

Aquela parte da transcrição da fita publicada na revista ‘L’Espresso’ em que o Silvio Santos de Milão debate a hereditariedade do orgasmo em sua família com uma importante prostituta italiana, francamente, não se pode esperar nada parecido dos políticos brasileiros em matéria de cultura. A Itália levou milhares de anos para chegar à perfeição!

Texto publicado na coluna Ambulatório da Notícia do caderno Aliás deste domingo no ‘Estadão’.