EUA: mais um timão a cair!

Tutty Vasques

14 Agosto 2011 | 06h00

ILUSTRAÇÃO POJUCANSeria até injusto com as atuais cartolas do futebol brasileiro dizer que Barack Obama parecia um deles ao reagir com a arrogância de antigos dirigentes de nossos clubes ao rebaixamento dos EUA na tabela de classificação da economia global. “Quem são esses manés pra nos dizer que não somos mais um país AAA?!” – foi logo desqualificando os critérios de julgamento da Standard & Poor’s, cujo ranking é tão respeitado no mundo dos negócios quanto o da Fifa entre seleções de futebol. Não falou exatamente isso, mas deu a entender que, em último caso, pode apelar pro “tapetão” para garantir a permanência dos americanos no grupo de elite ‘triplo A’.

Nunca antes na história daquele país vitorioso, havia-se levantado a voz contra as regras de pontuação no jogo financeiro internacional. Na primeira vez em que se sentiu prejudicado pela arbitragem da agência classificatória que lhe caçou um ‘A’, os EUA ameaçam virar a mesa, melar a brincadeira do mercado.

Mal comparando, o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, portou-se como um verdadeiro estadista naquele fatídico dezembro de 2007, quando o Timão passou por drama bem parecido com o que a América vive agora: “Ser rebaixado é doloroso. Chegamos ao fundo do poço, mas temos de trabalhar. Não me arrependo de ter assumido o cargo de presidente!” Obama teria se saído melhor do vexame das últimas semanas se tivesse seguido o discurso de Sanchez.

Em comum diante da grande depressão de suas respectivas nações, os presidentes dos EUA e do Corinthians culparam administrações anteriores pelo desastre. Nada que, a seu tempo, Washington não possa reverter adotando já a humildade dos derrotados para um dia – quem sabe! – sonhar com seu próprio Itaquerão.