Febeapá: do bafo ao caô!

Tutty Vasques

24 de julho de 2010 | 09h12

ilustração pojucan

ilustração pojucan

A gíria caiu em desuso. Ninguém mais fala “bafo”, no sentido de mentira, conversa fiada, cascata… Mas, nem tanto tempo assim faz, pegava super bem empregar o termo para resumir o descontentamento geral com tudo isso que aí está. O Aurélio define bem que época é essa na citação de Stanislaw Ponte Preta, em Febeapá 2: “Quando eles fizeram aí essa revolução e falaram tudo aquilo, que iam salvar o País, que iam prender tudo que é safado, que isso, que aquilo, eu cheguei a ter uma esperançazinha. Palavra de honra! Mas logo depois eu vi que era tudo bafo.”

         Sérgio Porto não viveu pra ver, mas, quando acabou a ditadura, falaram tudo aquilo de novo, que iam salvar o País, que iam prender tudo que é safado, que isso, que aquilo… Continuam até hoje insistindo no mesmo bafo! Na tecla SAP das novas gerações, “tudo caô!” Não há outra explicação para a queda no número de eleitores brasileiros com menos de 18 anos.

         Neste pleito, em particular, o bafo dos políticos atinge níveis alarmantes. Como ninguém tem mais a menor responsabilidade sobre o que diz e multar, simplesmente, não está surtindo efeito, talvez seja hora de submeter os candidatos em campanha ao teste do bafômetro. Bafômetro a garotada sabe o que é, né?

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