Fenômeno de 1954

Tutty Vasques

25 Julho 2009 | 09h20

O Brasil comemorou esta semana os 55 anos do único vice-campeonato cuja memória o País conserva em sua galeria de glórias do passado. Antes e depois do segundo lugar de Marta Rocha no concurso Miss Universo de 1954, nenhuma outra derrota brasileira na final de uma competição internacional virou efeméride com gosto de festa para quem sobreviveu à fama de perdedor. O goleiro Barbosa, como se sabe, morreu disso!

Marta Rocha vive feliz com a lembrança das tais duas polegadas a mais nos quadris, detalhe que, reza a lenda, teria servido de argumento para passarem a baiana pra trás. O Brasil não só rejeitou a desculpa inventada, como logo transformou o “defeito” em marca registrada do biotipo brasileiro, motivo de orgulho da raça, símbolo da beleza de uma gente que não desiste nunca.

Não fosse o pioneirismo de Marta Rocha ao deixar o dela na reta, dificilmente Ronaldo Fenômeno teria hoje lugar no time do Corinthians. Com aquele quadril? Duvido!

Texto publicado no caderno Cidades/Metrópole deste sábado no ‘Estadão’