Forças ocultas em contas secretas

Forças ocultas em contas secretas

Tutty Vasques

05 de abril de 2009 | 09h28

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Antes de se tornar “coisa do passado”, conforme palavra de honra do primeiro-ministro Gordon Brown no encerramento da reunião do G-20 em Londres, o sigilo bancário viveu no Brasil um momento inusitado. O falecido Jânio Quadros, soube-se dia desses, teria puxado a expressão pelo pé da letra ao morrer sem contar a ninguém onde escondeu seus fundos no exterior. Imagina o drama de Jânio Quadros Neto, coitado, virando a Suíça pelo avesso há anos, sem acreditar que o avô tenha lhe deixado só o nome de herança.

Nunca na história desse país uma conta foi tão secreta, por mais que Paulo Maluf se faça de Jânio sobre o bloqueio esta semana pela Justiça de US$ 22 milhões supostamente desviados dos cofres públicos para os de sua família na ilha de Jersey, com escala técnica da bolada – US$ 200 milhões originalmente – em banco suíço. Lenda viva do sigilo bancário no Brasil, Maluf já não faz nem suas famosas blagues sobre o mapa de seu tesouro em paraísos fiscais. Não diz, por exemplo, que “quem achar conta minha no exterior pode ficar com o dinheiro”. Para ele, morreu o assunto!

Daí a farra financeira virar “coisa do passado”, como quer agora Gordon Brown e sua turma, vai demorar. Seja como for, Celso Pitta já deve ter se dado conta de que a fila está andando. Num dia foi o Jânio, no outro o Maluf, tudo tão rápido no noticiário que o leitor menos atento poderia muito bem ser induzido a acreditar numa suposta conta conjunta de ex-prefeitos de São Paulo na Suíça.

Será?!

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