Fundo soberano

Tutty Vasques

22 de setembro de 2010 | 03h55

ppO economês é, como se sabe, uma linguagem de duplo sentido no imaginário popular. Nem tudo é compreendido do jeito que se quer explicar nos jornais. O tal Fundo Soberano, por exemplo, reapareceu no noticiário econômico da semana como antídoto para um problema, cuja solução evoca ene outras possibilidades já testadas pela sabedoria popular: “Esse negócio de mexer no fundo soberano para segurar o câmbio nem sempre dá certo!” – ensina Rita Cadilac.

         A ex-chacrete fala com a autoridade de quem já foi considerada uma espécie de Mulher Fundo Soberano de seu tempo. Não vou precisar datas para não revelar a quilometragem do equipamento, mas Cadilac é de uma época em que ainda não havia duplo sentido econômico para “fundo soberano”, bem entendido hoje como uma poupança do governo usada para salvar o dólar de uma queda fatal.

         Antigamente, a expressão era fluente em papo de botequim. Dizia-se que “fundo soberano de bêbado não tem dono”, que “passarinho que come pedra sabe o fundo soberano que tem”, que “pimenta no fundo soberano dos outros é refresco”, sempre em referência àquilo que a Fórmula 1 passou a identificar recentemente como “difusor traseiro”, entendeu?

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