Guernica antitabagista

Guernica antitabagista

Tutty Vasques

01 de junho de 2008 | 10h37

ilustração pojucan

No princípio – a coisa começou a pegar no final de 2003 – eram fragmentos de pernas amputadas, pulmões carbonizados, gengivas carcomidas, fetos em vidro de maionese, horrores atribuídos ao cigarro que a guerra contra os fumantes expôs na propaganda oficial como uma Guernica antitabagista. Cinco anos depois, muito provavelmente porque não há registro de fumante que deixou de sê-lo por causa da imagem gravada no maço que carrega no bolso, o Ministério da Saúde resolveu radicalizar o combate.

Seremos agora bombardeados com portraits de cadáveres necropsiados, fetos apodrecidos misturados a bitucas, faces necrosadas, jovens escornados, corações feitos de cinzeiro e – o que faz o mais célebre quadro de Picasso parecer ilustração de livro infantil – a visão surrealista de uma cabeça arrebentada a golpes de machado para ilustrar o risco de derrame cerebral em fumantes. Parece sacrilégio se chocar com essas coisas no embalo do Dia Mundial Sem Tabaco, comemorado ontem, mas falo com a consciência tranqüila dos não-fumantes de bem com a vida.

As novas imagens de advertência do Ministério da Saúde são de um terrorismo desnecessário, em especial com quem largou o vício – ou nunca o teve – e será inevitavelmente exposto ao horror da propaganda oficial.

(Clique aqui para ler a íntegra do texto publicado no caderno Aliás do ‘Estado’)

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