História da riqueza dos homens

História da riqueza dos homens

Tutty Vasques

11 de julho de 2010 | 09h28

Ilustração pojucan

Ilustração pojucan

O empresário Paulo Skaf, sabe-se agora, teve bons motivos para virar um socialista na presidência da Fiesp. O patrimônio pessoal do candidato do PSB ao governo de SP – R$ 10.838.896,75 – não soma um centésimo da estimativa dos bens declarados à Justiça Eleitoral pelo vice de Marina Silva na chapa presidencialista do PV: Guilherme Leal é dono da Natura e de uma fortuna calculada em R$ 1.197.729.991,00.

É grave a crise, a julgar pelas contas apresentadas por Aloizio Mercadante ao TRE. Com bens avaliados em R$ 460.875,70, o deputado perdeu quase R$ 300 mil dos R$ 754.236,65 por ele declarados nas eleições de 2006. Mercadante é exceção de prejuízo, tomando por base a evolução da riqueza de Michel Temer (118%), vice da Dilma, e de Índio da Costa (280%), vice do Serra.

O próprio Gabeira, feliz proprietário de duas motocicletas e três pares de tênis de cânhamo, aumentou seus bens em 15% – de R$ 53 mil, nas eleições de 2008, para 58,9 mil, em 2010. Precisa mesmo muita cara-de-pau ou incompetência para declarar-se político empobrecido no Brasil. Pode-se até questionar como Sérgio Cabral, com R$ 843 mil, mantém apartamento na quadra da praia do Leblon e casa em Angra, mas o governador pelo menos reconheceu melhoria de 30% em seu padrão de vida desde as últimas eleições.

O patrimônio de cada um informado á Justiça Eleitoral salvou do mais completo tédio o noticiário político da semana. Um dia os jornais contavam que Dilma Rousseff guarda R$ 113 mil no colchão; no outro, ficávamos sabendo que na garagem de Fernando Collor tem uma Ferrari de R$ 459 mil e um Maserati de R$ 342 mil. O valor, no caso, é relativo: ou o candidato ao Senado pelo PTB da Bahia, Edvaldo Brito, não teria nem declarado seu Ford Galaxie 1976, cujo valor de mercado – R$ 693,98 – é quase um voto de pobreza.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.