Indignados anônimos

Tutty Vasques

13 de junho de 2009 | 09h28

É muito difícil precisar o que é pior hoje em dia no Congresso, se tudo isso que lá está ou o decorrente sentimento doentio de indignação incontinente, isso que nos faz a toda hora ruminar xingamentos, pragas, revolta e impotência. Quem lê jornal todo dia sofre demais com o papel de palhaço que a cobertura política lhe reserva. Todavia, por maior que seja sua vontade de desancar uns e outros, controle-se: periga você virar um chato de galocha, capaz de estragar qualquer conversa de bar com detalhes da biografia do Sarney.

O indignado compulsivo mantém com a bronca a mesma relação do alcoólatra com a bebida. Não sabe a hora de parar, fica repetitivo, exaspera-se, ganha eloquência de Rui Barbosa em horas impróprias como a do almoço de fim de semana com a família.

Dê carinho a alguém que não aguenta mais tanta bandalheira. É gente que precisa de ajuda para desviar seus pensamentos das verdades que gostaria de dizer ao Renan Calheiros, na lata. Ninguém merece ouvir!

Texto publicado no caderno Cidades/Metrópole deste sábado no ‘Estadão’

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