Inocência perdida

Tutty Vasques

03 Março 2012 | 00h02

ilustração pojucanA novíssima classe média brasileira não conseguia esconder sua apreensão e nervosismo ontem de manhã no saguão de Congonhas. Da primeira pane no check-in de aeroporto a gente nunca esquece!

Precisa achar a fila certa, esperar, esperar, esperar, correr para o portão 8, voltar para o 13, dar uma olhada no painel de chegadas e partidas, atenção nos alto-falantes para novo reposicionamento de aeronaves, “cadê as crianças?”, melhor dar mais uma conferida no painel eletrônico, no portão 2, corre…

O que deixa o passageiro de primeira viagem ainda mais em pânico com a perspectiva de perder o voo é a calma daqueles caras de terno, pernas cruzadas na sala de embarque, lendo o caderno de Economia dos jornais, nem aí para a confusão em volta.

É gente com milhagem suficiente para ostentar tranquilidade diante da multidão assustada com a possibilidade de não conseguir voltar pra casa ou sair de férias, dependendo de quem parte e quem fica.

Isso passa! Com o tempo, todo mundo fica meio blasé com o caos aparente. Se ainda não é o seu caso, finja naturalidade. Pega super bem!

Aeroporto, definitivamente, não é para amadores!