Inútil paisagem

Inútil paisagem

Tutty Vasques

20 de março de 2010 | 09h22

reproduçãoImpasses como este sobre quem é o dono das riquezas do mar eram resolvidos, antigamente, à bala de canhão. Ganhava quem tivesse as melhores fortificações ou mais navios de guerra para garantir a exploração dos caminhos marítimos do ouro, das especiarias, dos descobrimentos… Naquela época não havia petróleo! Nem constituição, Congresso, unidade federativa, STF, governador chorão, anão do orçamento, passeata, nada disso. As coisas do mar eram resolvidas no mar – todo mundo que estudou um pouquinho a expansão comercial no século XVI tem uma vaga ideia a respeito.

 Sobre o que aprendeu na escola, Leila Diniz escreveu certa vez em seu diário: “Brigam Espanha e Holanda pelos direitos do mar, o mar é das gaivotas que nele sabem voar; brigam Espanha e Holanda pelos direitos do mar (…) porque não sabem que o mar é de quem o sabe amar.” Sei que não é hora pra fazer poesia, mas, se o assunto é inevitável, melhor evitar a discussão rasa que se trava em Brasília sobre os direitos do mar. No tempo da bala de canhão já não se aprofundava muito a questão dos princípios de justiça, mas as regras do jogo eram mais claras. Na atual guerra de palanques, vale-tudo. Como diria Eduardo Suplicy, aproveitando a deixa para trocar Bob Dylan por Tom Jobim, “pra que tanto mar, pra quê?” (Inútil Paisagem).

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