Jornalismo de mutirão

Tutty Vasques

18 de junho de 2011 | 06h56

reproduçãoO caso do estudante americano residente na Escócia que comoveu as redes sociais na semana passada se fazendo passar por uma jovem blogueira lésbica sequestrada pelo governo na Síria é, enfim, uma novidade na banalidade da falsidade ideológica no mundo virtual.

O blog do cara – como é comum na blogosfera – não pegava carona no nome de alguém famoso para fazer sucesso na rede mundial de computadores. ‘Garota Gay em Damasco’ foi criado a reboque do web-ativismo das revoluções sociais.

Desmascarado no papel da homossexual Amina Abdallah, personagem que inventou para dar visibilidade às minorias no levante contra Bashar al-Assad, o tal Tom MacMaster é um simpatizante dos direitos humanos. Criou a farsa em nome dos fracos e oprimidos.

A rigor, ele não fez mal a ninguém, a não ser ao avanço indiscriminado do chamado “jornalismo-cidadão” que transforma todo internauta em repórter potencial dos fatos tradicionalmente cobertos por profissionais da imprensa.

Que sirva de alerta ao tsunami de colaborações que invade as redações de todo mundo. Jornalismo não é mutirão da notícia. Não dê ouvidos a qualquer um!

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