Laranja mecânica (versão MST)

Laranja mecânica (versão MST)

Tutty Vasques

11 de outubro de 2009 | 09h13

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Não dá para entender como num país tão grande e generoso, com tanta gente querendo terra para plantar, o MST consegue transformar sua luta sustentável num movimento hostil, antipático e indefensável até nos sítios arqueológicos humanitários da chamada sociedade civil. Tem muita gente boa por aí com vergonha do próprio DNA de esquerda depois de assistir a invasão do bom senso e da civilidade na Fazenda da Cutrale, em Borebi (SP). Dessa vez, os caras se superaram! Conseguiram fazer até comunista entrevado ficar com dó do laranjal. Um amigo meu, trotskista aposentado, chorou copiosamente vendo as imagens daquela estupidez do trator contra o pomar. Laranja Mecânica perde! 

O que foi aquilo? Periga ter sido ação orquestrada pela direita. O que o MST faz nessas ocupações, convenhamos, é pura propaganda subliminar do Ronaldo Caiado, cujo brilho ruralista sempre sobressai no debate político com o Doutor Rosinha – ele mesmo! -, ressuscitado no PT para o papel de advogado de defesa da lambança injustificável. Alguém que invade, quebra, picha, emporcalha e, quando chega a polícia, sai de fininho, francamente, só pode estar tramando a criminalização a Reforma Agrária. Talvez seja só um movimento autofágico, fadado à autodestruição, mas ainda há tempo para a cantora Beth Carvalho retirar seu nome do abaixo-assinado de intelectuais contra a CPI do repasse de dinheiro público ao MST. Corre lá, Beth! Diz que você andou pensando e viu que não faz sentido uma sambista participar de manifesto de intelectuais, sei lá…! Inventa qualquer coisa e cai fora dessa cilada. Rápido!

Textopublicado na coluna Ambulatório da Notícia deste domingo no ‘Estadão’.

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