Lavou, tá novo!

Tutty Vasques

08 de junho de 2011 | 02h26

A expressão tem significado universal, com pequenas variações idiomáticas na construção do sentido jurídico comum a todas as línguas: ‘branqueamento de capitais’ em Portugal, ‘money laundering’ nos EUA, ‘lavado de ativos’ na Colômbia, ‘geldwach’ na Alemanha, ‘riciclaggio di denaro’ na Itália, ‘blanchiment d’argent’ na França… Em todo canto, enfim, a prática criminosa de transformar dinheiro sujo em dinheiro limpo tem designação de placa de propaganda de tinturaria.

O Brasil é, a rigor, o primeiro país do mundo a transformar ‘lavagem de dinheiro’, de metáfora, em atividade literal. O crime organizado de São Paulo desenvolveu num muquifo da Zona Leste da capital know-how de remoção de manchas cor-de-rosa em notas roubadas de caixas eletrônicos. A cédula tingida fica sem vestígios da coloração antifurto depois de lavada em solventes de fórmula ainda desconhecida da polícia.

A descoberta pode atrair para o País dinheiro sujo da Inglaterra, dos EUA e do Canadá, mercados que detêm a mesma tecnologia de segurança, aparentemente garantida pela falta de expertise da bandidagem local. Nisso, convenhamos, eles ainda têm muito que aprender com a gente!

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