Leitura da peça

Tutty Vasques

16 Agosto 2012 | 06h07

reproduçãoÉ desumano! Não digo nem com quem passará os próximos três ou quatro dias de expediente no STF ouvindo o voto do relator Joaquim Barbosa no julgamento do mensalão. O orador é, no caso, a principal vítima do rito de leitura de 1 mil páginas enfadonhas, tanto faz se pedindo a condenação ou a absolvição dos 38 réus do processo.

Quem, como o ministro, já teve problemas crônicos na coluna chega a sentir uma pontada na lombar só de imaginar o desconforto de sua excelência. Se não encontrou posição para ouvir os advogados de defesa, pior agora com tamanha incumbência de sustentação oral.

A continuar como nos últimos dias no senta e levanta de sua cadeira ergométrica de espaldar reclinável para se esticar de pé ou se estirar na sala anexa ao tribunal, vai ficar difícil acompanhar o relator.

Não há entrevado neste País que no momento não tenha dó do sujeito. Perguntam-se uns aos outros, afinal, se o voto do ministro está redigido, por que não entregar a leitura da peça a um profissional de teatro competente para interpretar o protagonista de acordo com a liturgia da mais alta corte da Justiça brasileira.

O Milton Gonçalves faria muito bem o papel, né não?