Los hermanos

Los hermanos

Tutty Vasques

06 de julho de 2008 | 10h59

ilustração pojucan

Antes que o noticiário flagre o juiz que apitou o jogo do Fluminense ou alguém das Farc levando uma cervejinha para facilitar as coisas, é preciso dizer o seguinte: há muito tempo a América do Sul não vivia dois feitos tão espetaculares no mesmo dia. A vitória do Exército colombiano não chegou a ofuscar a conquista da Libertadores da América pelo futebol equatoriano, mas é claro que a ação cinematográfica de resgate de Ingrid Betancourt tirou da façanha da LDU no Maracanã um bocado de espaço na mídia. Faltou primeira página nos jornais da semana para tantos heróis cucarachos da safra da última quarta-feira, 2 de julho, aí incluídos o jogador da Liga Joffre Guerrón, o presidente francês Nicolas Sarkozy e o personal trainer colombiano que preparou a ex-refém para a liberdade.

A se lamentar apenas o fato de que, numa região do mundo tão carente de boas notícias, não vigore um esquema de rodízio para que nunca coincidam duas na mesma edição dos jornais. É muito desperdício! O resultado dessa overdose de imprevistos agradáveis no topete do continente acabou escondendo do resto do mundo boa parte da explosão de alegria que tomou conta de Quito na primeira grande marca internacional do futebol equatoriano. Até hoje o povo de lá parece não acreditar naquilo que os jogadores, o técnico e a torcida do Fluminense jamais acreditaram: que o time carioca pudesse perder para sua própria prepotência. Pagaram pela empáfia de não admitir que o inesperado lhes faça surpresas. A vitória da LDU nos pênaltis não quer dizer lá muita coisa em matéria de futebol, mas botou lenha na fogueira da possibilidade de novas alegrias em marcha na América do Sul. Desde a morte de Che Guevara, como se sabe, não acontece nada por essas bandas.

Clique aqui para ver a íntegra do texto publicado no caderno Aliás, do ‘Estado’.

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