Malfeito genérico

Tutty Vasques

23 Agosto 2011 | 00h03

Ciúmes do Lula à parte, tem gente no PT incomodada com os encontros de Dilma Rousseff com FHC. Já há, inclusive, quem aponte no discurso mais recente da presidente o sotaque tucano do ex-presidente. Referem-se, especificamente, ao emprego da palavra “malfeito” para se referir à lambança puxada no rodo da tal “faxina ética” do governo. Para uns e outros, Dilma “tucanou” a roubalheira.

“O meu governo vai continuar combatendo todos os malfeitos!” – repete aos jornalistas, equilibrando-se no fio da língua esticado entre o mal executado e o mal intencionado, sobre o abismo que separa o adjetivo do substantivo no mesmo verbete do Houaiss.

“Malfeito”, substantivo masculino, é “crime, delito, malfeitoria”. Ou ainda “o que traz prejuízo, malefício; o que é ruim; má ação”.

“Malfeito”, adjetivo, é qualquer coisa “feita incorretamente, defeituosa, imperfeita, disforme”.

Há, portanto, malfeitos e malfeitos! O emprego genérico da expressão é um truque de retórica incomum no discurso de Dilma Rousseff, daí a suposta influência de FHC na fala da presidente. Faz sentido? Sei lá!