Maradona e Coisa Ruim

Tutty Vasques

27 de abril de 2010 | 09h28

O personagem Maradona – aquele argentino gente boa pra caramba que a novela das 9 inventou – não é mais o único queridinho nonsense do folhetim de Manoel Carlos. O autor cismou agora de fazer o público de Viver a Vida cair de amores por um ex-traficante evangélico e barrigudo, que, apesar de conservar o apelido e o jeito de Coisa Ruim, é a gentileza em pessoa da vez no horário nobre.

Grosseiro, no caso, é o protagonista interpretado por José Mayer. O milionário Marcos, ao contrário de Maradona e Coisa Ruim, não tem o menor respeito pelas mulheres. Vive trocando uma pela outra, aparentemente só para cumprir tabela no papel de galã entediado numa novela dedicada às histórias de superação de dramas pessoais.

Canalhas do gênero Marcos não sobressaem nem como problema quando a gente olha em volta da trama central e lá está a mocinha tetraplégica ou a coadjuvante com anorexia alcoólica ou ainda qualquer uma das lições de vida real que encerram todo capítulo da novela.

Os adoráveis Coisa Ruim e Maradona também são, de forma mais divertida, exemplos de superação de ex-bandido e ex-argentino, respectivamente. Se fosse uma comédia, o autor daria um jeito de arrumar emprego pro Coisa Ruim no restaurante do Maradona.