Marketing Futebol Clube

Tutty Vasques

07 Agosto 2011 | 06h33

ILUSTRAÇÃO POJUCANDepois de esculhambar com a política, o marketing está fazendo o que pode para, com as invencionices próprias da atividade, transformar o futebol numa grande palhaçada. A ideia de contratar um jogador chinês para “alavancar” a marca Corinthians pela Ásia é ou não é tão inacreditável quanto a sacação de inscrever Pelé no time do Santos que deve enfrentar o Barcelona na final do Mundial de clubes? Parece brincadeira!

Como é que ninguém pensou nisso antes? É simples: só recentemente a ferramenta do marketing obteve no futebol o mesmo grau de importância a ela conferida no âmbito da política nas últimas duas décadas. Não faz muito tempo, alguém que sugerisse uma terceira camisa cor de marcador de texto para o Palmeiras ou grená, para o Timão, tomava uma vaia, e segue o jogo!

Nem o tal Luis Paulo Rosenberg, diretor de marketing do Timão, parecia se levar a sério ao anunciar dia desses que está “trazendo um moleque” da seleção chinesa. “É ruim de bola, mas não faz mal!” explicou às gargalhadas. “A chinesada vai saber que tem um chinês jogando no Brasil, vai pagar os tubos para vê-lo atuar na TV, vai comprar a camisa do clube com o nome dele: Ling, Shing, Ling…” Simples assim!

No Santos, a ideia de jerico de querer escalar Pelé e Neymar no mesmo time é do próprio presidente do clube, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro. “É sério!” – garante. “Já imaginou o Pelé entrando no fim de um jogo para bater um pênalti?” O Rei já mandou lhe dizer “sem chances”, mas vai convencê-lo de seu delírio.

O marqueteiro é, antes de tudo, um sujeito que perde o senso de ridículo à medida que ganha poder no trabalho. Quando, enfim, é reconhecido como gênio da raça, aí – como diz o Chico Buarque (outro que, se dependesse do marketing, poderia estar jogando no Fluminense) – “larari, lairiri, laralá, lirili…” Já era, mano!