Medo de aeroporto

Tutty Vasques

09 de dezembro de 2010 | 06h30

Há tempos não recorria à herança materna do anjo da guarda, mas ontem, confesso, apelei antes de dormir ao meu Menininho Jesus de Praga por um salvo-conduto para atravessar tranquilamente, pra lá e pra cá, o aeroporto de Congonhas. Passo o dia na Ponte Aérea, botando fé em novo adiamento do caos aéreo iminente. Excesso de passageiros, manifestação de aeroviários, mau tempo… “Hoje, não!” – repito baixinho, como um mantra ao Menininho que me protege.

Morro de pena de quem viaja a trabalho toda semana de avião, pois não há santo ou devoção extrema que possa livrá-los da confusão que se antecipa ao Natal. Boa parte dos 14 milhões de bilhetes vendidos para vôos entre 17 de dezembro e 3 de janeiro levarão passageiros à loucura no inferno dos aeroportos. É inevitável e, este ano, imprevisível em matéria de volume de aborrecimentos! “Hoje, não!” – é tudo que peço.

A boa notícia é que, de uns tempos pra cá, o pânico de perder o dia e a paciência no aeroporto acabou aliviando a velha tensão de todo viajante: ninguém mais fala em medo de avião nas salas de embarque do País!

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