Motorista também é filho de Deus!

Tutty Vasques

10 Maio 2013 | 06h13

ilustração pojucanSe a missão do papa Francisco é estar ao lado de quem sofre, como demonstra sua agenda no Rio com favelados, presidiários e drogados, convém a Igreja incluir nesta programação um engarrafamento na Barra da Tijuca, flagelo supremo na rotina da classe média emergente carioca.

Claro que não precisa embarcar Sua Santidade numa van ou num ônibus na Av. das Américas para lhe dar a exata dimensão do calvário de todo santo dia pelas vias do bairro. Basta não botar batedor abrindo caminho para o papamóvel.

Sexta-feira dessas, William Bonner, que é da comunidade, retratou em preto e branco no Twitter sua viagem ao inferno, 1 hora e 16 minutos depois de sair de casa, alegrão, para levar os filhos na escola. Deu pena ver a carinha do jornalista daquele jeito – ô, dó!

O metrô vai chegar à Barra em 2016, mas, do jeito que a cidade cresce pra lá, só um milagre poderá desatar o nó habitual no trânsito.

Se o papa se interessar pelo martírio, sua viagem ao Brasil vai acabar se esticando até São Paulo, lógico!