Mulatas borralheiras

Mulatas borralheiras

Tutty Vasques

21 Fevereiro 2009 | 09h54

reprodução

Cinderelas existem por toda parte, em qualquer época, mas nunca aos montes e na mesma festa como nos desfiles das escolas de samba. À sombra de um punhado de musas e rainhas, mulatas anônimas às pencas desfilam no sambódromo fantasias de fazer inveja a qualquer gata borralheira na saída do baile.

Sem lipo, botox, silicone ou personal trainer evidentes, nenhuma delas está na pista a caminho das bancas de revista. Dispensada pelas câmeras de TV, flerta com a multidão das galerias, brinca com o desejo, insinua o prazer, mas não procura ninguém. A rigor, se acha. Se basta!

Vive o clímax de um show particular, a apoteose dos quadris que lá adiante, na dispersão, voltarão a ser abóbora, sonho de caixa de super-mercado, trocadora de ônibus, limpadora chaminé ou vendedora da Avon. Aí então, como diria Chico Buarque “quem não a conhece não pode mais ver pra crer, quem jamais a esquece não pode reconhecer”.

(Texto publicado no caderno Cidades/Metrópole deste sábado no ‘Estadão’)