Na hora de dividir o bolo…

Tutty Vasques

15 de maio de 2010 | 09h28

ilustração pojucan

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O povo está confuso, e não é pra menos! De repente, os economistas trocaram o alerta vermelho de recessão pela advertência grave de crescimento, sem escalas em um trimestre sequer de normalidade financeira. Quando tudo parecia estar quase bem, com retomada do emprego, da produção industrial e do consumo – no fim do mês até sobrava algum dinheiro para comprar figurinhas -, o ministro Guido Mantega saiu de seu gabinete gritando “para, para, para!”, como se o leite fosse derramar no fogão ou o bolo desandar no forno. 

A receita, nos ensinam, é deixar o Brasil em fogo brando, mexendo sempre nos juros para não criar bolhas inflacionárias, sem descuidar um instante do aquecimento mínimo necessário para não solar a massa do PIB. “Não pode crescer demais nem de menos”, eis a dica de Mantega para se obter um tamanho sustentável. Pelo que deu para entender no noticiário econômico, crescer 1% é pouco, 5% é razovável, mas 7% já é demais.

Isso quer dizer o seguinte: o PIB ideal é uma abstração ou, ainda que exista, não se tem como chegar lá sem antes bater no teto de nossas possibilidades. Ainda bem que não tem muito também o que cair, né? Enfim, vai dar tudo mais ou menos certo!

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