Não é a Roma antiga!

Tutty Vasques

28 Agosto 2011 | 06h08

ILUSTRAÇÃO POJUCANComo bem disse dia desses a presidente Dilma em Brasília, “isso aqui não é, de fato, a Roma antiga”. A não ser, cá pra nós, por um detalhe em comum entre a história recente Brasil e a mitologia que cerca a fundação da cidade que deu origem ao Império Romano. Assim como os gêmeos Rômulo e Remo abandonados às margens do rio Tibre, diz a lenda da Praça dos Três Poderes que quase todo mundo que lá chega pega o hábito de mamar na loba para garantir a sobrevivência dos seus. Em tudo mais, são lugares bem distintos.

A começar pela distância tecnológica entre uma cultura e outra de malfeitos com a coisa pública: na Roma antiga não havia aviãozinho particular para dar carona aos césares da época. Sei lá como faziam para corromperem-se uns aos outros – jatinho naquele tempo era tão-somente um esguicho fraco, arremedo de jorro de um fluido qualquer. Em Brasília, como diz o Boris Casoy, isso é uma vergonha!

Só ainda não tiveram a ideia da CPI do Jatinho porque, salvo exceções, todo político brasileiro em campanha, quando não viaja na maionese do dinheiro público, pega carona em voo de empreiteiro, usineiro ou trambiqueiro. É, atualmente, a maneira mais rápida de se lambuzar todo no noticiário.
Ministros, presidentes de casas legislativas, governo e oposição, basta desembarcar com mandato em Brasília para já não lembrar direito como chegou lá. Na Roma antiga, salvo engano, a turma chegava de biga.

De novidade nessa história, só a gravidade com que a falta de ética vem sendo tratada no Ministério da Faxina, que adverte: carona de avião é como exame de urina, convém sempre desprezar o primeiro jato!