Nasce uma berlusquete!

Nasce uma berlusquete!

Tutty Vasques

10 de maio de 2009 | 09h29

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Noemi Letizia não é mais um rostinho feio dos programas de calouros na TV. Também não tem pedigree de big brother ou currículo de Maria Chuteira. Não, ela não é da nova safra de modelos, cantoras, rainhas de bateria, funcionárias fantasmas do Senado ou artistas de Hollywood. Não teve filho com Fernando Lugo no Paraguai, não tirou Bill Clinton numa rifa em Nova York, não é miss Venezuela nem pegou gripe no México. Para virar celebridade instantânea, a garota só precisou de um ataque de ciúmes da mulher que atura o Silvio Berlusconi há quase 30 anos. Noemi é aquela italianinha cafona, loura feito um girassol do brejo, que teria chamado o premiê de “papi” ao recebê-lo no bailinho de seus 18 anos em Nápoles.

Pai, amante ou só grande amigo da família, seja lá que papel o homem mais poderoso da Itália desempenhava naquele arrasta-pé carcamano, não seria isso ou aquilo que mancharia seu incomparável repertório de falta de respeito com as mulheres de uma forma geral – com a dele, em especial. A pobre coitada da Veronica Lario, mais que todas as feministas juntas, deve ter zilhões de motivos muito mais graves que Noemi para querer distância de um homem desses. A ex-atriz de 52 anos, mãe de três filhos do primeiro-ministro, nem precisaria, a rigor, explicar o pedido de divórcio. “Já vai tarde!” – todos compreenderiam.

Do jeito que fez, abrindo suas desconfianças de mulher traída à imprensa, Veronica expôs muito mais que a si mesmo ao ridículo. Botou Noemi Letizia no rol da fama repentina, criou uma nova celebridade de ocasião. Seu rosto de menina está nas bancas de revista de todo o mundo e, a despeito do conteúdo anexo, a bambina d’oro só não posa para a ‘Playboy’ e ganha um programa na TV italiana se não quiser. E ela tem uma carinha de quem está doida pra sair da casa dos pais.

Texto publicado na coluna Ambulatório da Notícia do caderno Aliás do ‘Estadão’ deste domingo.