No estribo das vans

Tutty Vasques

12 de fevereiro de 2011 | 06h31

Não há nada tão ruim no Brasil que não se possa dar um jeitinho de piorar com medidas paliativas do problema – estão aí mesmo as vans que não me deixam mentir! Adotadas para aliviar o desconforto mais agudo dos dependentes de transportes públicos – no princípio, até ar condicionado ofereciam -, elas circulam hoje por aí em condições mais ultrajantes do que as enfrentadas em trens, ônibus e metrô.

No Rio e em São Paulo, não bastasse o espírito motoqueiro de boa parte dos motoristas da frota envelhecida, está virando praxe o transporte de gente em pé. A situação é claustrofóbica até para quem olha de fora: de frente para os passageiros sentados, encostados na porta de correr, eles viajam ombro a ombro com os pés apoiados no primeiro degrau de acesso ao veículo. Os mais altos precisam curvar a cabeça para não bater no teto. Nem gado vai assim pro matadouro!

Na rotina dos acidentes, imagina o risco que esta gente corre sob o olhar cúmplice da polícia de trânsito. E ainda tem prefeito por aí falando em choque de ordem. Ora, vai lamber sabão, né não?!

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.