No Facebook, ninguém é normal!

Tutty Vasques

27 de maio de 2010 | 09h21

REPRODUÇÃO

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Por mais que a empresa responsável pelo Facebook prometa para os próximos dias mudanças na mecânica de controle da exposição pública de informações pessoais na web, boa parte dos 400 milhões de usuários do negócio não está nem aí para esse tipo de cuidado. Muito pelo contrário, tem gente que foi atraída para o Facebook justamente pela sua vocação de ferramenta de evasão de privacidade.

Quando intimidade vira sinônimo de conteúdo, rola uma certa compulsão pela confissão nas informações compartilhadas. Agora mesmo, virou notícia nos EUA o caso do soldado americano que está sendo investigado por causa do vídeo que postou na rede social exibindo entrevista com um garoto iraquiano realizada para quebrar o tédio da guerra. Ele pergunta: “Você é gay? Vai ser terrorista quando crescer?” Sem entender o idioma, o moleque faz sinal de positivo com o polegar para a câmera, dando a deixa para a conclusão: “É um futuro gay terrorista!”

Mais cedo ou mais tarde, imagino, todo mundo vai acabar pagando, no mínimo, pena de serviços comunitários pelas coisas que conta e mostra “de brincadeira” no próprio perfil eletrônico. Afinal, se – como dizia Caetano antes de inventarem a Internet –  “de perto ninguém é normal”, imagina no Facebook.

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