Nossas mulheres de Atenas

Tutty Vasques

25 de abril de 2009 | 10h29

Acredite: deve ter muita mulher de deputado do chamado baixo clero do Congresso rezando para perder integralmente o direito de usufruir da cota de passagens aéreas da Câmara. Por uma razão muito simples: impedidas de viajar a Brasília, elas passariam pelo menos quatro dias por semana longe de seus respectivos maridos. Parece um sonho, né não?!

Imagina a vida de patroa desses caras-de-pau que, para defender a ‘farra das passagens’, vão à televisão dizer que a esposa é a célula mater do mandato parlamentar. Com duas casas para cuidar em pontos distantes do País, as pobres coitadas são praticamente escravas da agenda política da autoridade com quem constituíram matrimônio. Miram-se, provavelmente, no exemplo daquelas mulheres de Atenas que o Chico andou cantando.

Vivem pros seus maridos – algumas só conhecem da farra o castigo do ir e vir a Brasília -, não é justo que sejam evocadas em nome da manutenção da pouca vergonha que vai a votação em plenário na semana que vem. Coitadinhas!

Texto publicado no caderno Cidades/Metrópoles deste sábado no ‘Estadão’.

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