Nosso Senhor da Economia

Tutty Vasques

06 Dezembro 2013 | 06h16

reproduçãoDeve ter sido ideia do ministro Guido Mantega: a partir do ano que vem, o brasileiro que amarrar uma fitinha do Senhor do Bonfim na munheca terá seus pedidos (no total de três, um para cada nó) atendidos na metade do tempo médio consumido atualmente para obtenção da graça, graças a um truque muito comum na economia brasileira para garantir superávit ao governo: a troca do poliéster pelo algodão na produção do souvenir mais popular da Bahia reduzirá em pelo menos 50% a espera para que o adereço se rompa pela ação do tempo, condição básica para dar tudo certo com a benção do Senhor.

É o que no céu chamam de “ilusionismo estatístico para cumprir metas sobrenaturais”, mal comparando com os ajustes fiscais de Brasília em busca de crença em resultados econômicos.

Como nada é de graça, a mudança do poliéster para o algodão vai triplicar o preço das fitinhas do Bonfim, nada que o ministro Mantega não possa compensar com um corte substancial no IPI das lembranças da Bahia.