Novos paradoxos

Tutty Vasques

27 Março 2013 | 02h36

ilustração pojucanAinda que Tim Maia continue atual quando citado sentenciando que “este país não pode dar certo”, há que se rever as premissas do pessimismo do artista. Quinze anos após sua morte, a maluquice maior não é mais o simples fato de que “aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita”.

Aqui e agora, como se sabe, homofóbico cuida dos direitos das minorias, desmatador zela pelo meio ambiente, condenados vigiam a Justiça e, se faltava um acusado de suborno presidindo a Comissão de Finanças da Câmara, o Congresso preencheu tal lacuna elegendo para o cargo o nobre deputado João Magalhães.

O parlamentar mineiro chegou lá justo no dia em que foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao STF por 33 práticas de corrupção passiva e quatro atos de fraude em licitação.

Está já há um mês se fingindo de morto em suas novas funções, provavelmente para não dividir as atenções da sociedade com o colega Marco Feliciano, que acabou virando mártir da luta contra a teimosia de quem insiste em levar este País a sério.

Como se aqui prostituta não se apaixonasse, cafetão não tivesse ciúmes, traficante não se viciasse…